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Razão da escolha - Reconto - Tradução - Actividades - Reflexão


País:  Itália
Língua:  Italiano
Title: Bruno lo zozzo (Bruno, o porcalhão)
Autor:  Simone Frasca
Editor: Piemme (1995)
ISBN:   88-384-3411-5
Escolhido por:  Carla Poesio
Consultora de Livros Infantis, Via Inghirami 22, 50131 Florença, Itália.

Razão da escolha:                
O tema principal do amigo invisível constitui, sem dúvida, um dos temas mais comuns e fascinantes tanto na área da psicologia infantil como na da literatura infantil de muitos países.      

Reconto:
O enredo apresenta muitas personagens que são do agrado de jovens leitores, especialmente do ponto de vista da identificação – como no caso do comportamento pouco usual de Bruno, a sua maneira anárquica de estar, a sua hostilidade à limpeza e a sua incrível voracidade. Por ser muito diferente, o amigo imaginário de Bruno, Giovanni, também é, à sua maneira, diferente. Nenhum deles é aceite pelos pares. Giovanni não é um super herói, ele é um porco apenas! Um dia, porém, quando todos os super heróis estão cheios de medo numa casa assombrada, é Giovanni quem é capaz de espantar os fantasmas e de fazer com que Bruno seja aceite pelos amigos.

Tradução:  
p6 Bruno não gostava de tomar banho.

p7 Preferia trepar árvores, descobrir passagens secretas e mascar pastilha elástica.

p8 Tudo isso o deixava esfomeado.    

p9 Por isso tinha de correr para casa para fazer um pequeno lanche: 8 fatias de pão com chocolate, 3 copos de sumo de laranja, 7 pacotes de bolachas, um frasco de maionese e 3 anchovas – embora nem sempre por esta ordem.  

p10 -Bruno! – gritava a mãe – és um porco voraz! Aposto que nem sequer lavaste as mãos!     

p11 Bruno parou alguns instantes, mirou rapidamente as mãos e continuou a empanturrar-se.   

p12 Bruno tinha três amigas: Daniele, Irene e Elisa. Um dia a Irene telefonou-lhe para dizer que tinha encontrado um amigo invisível.

p13 –É um dragão que come fogo e com a cauda muito macia. Havias de o ver! Consegue fazer anéis de fumo, tal e qual o meu pai com o cigarro!         

p14 – E às vezes também consegue voar!

p16 No dia seguinte foi a vez de Daniele telefonar a Bruno, entusiasmada: - Havias de ver o meu amigo invisível. É um cowboy que nunca falha um tiro!

p17 – Com um único tiro acerta nas penas da   cabeça de um cavaleiro medieval (o amigo invisível da Elisa) mesmo de costas voltadas para ele!               

p18 Nessa tarde, Irene, Daniele e Elisa foram a casa de Bruno lanchar e continuaram a descrever os seus amigos invisíveis. – E tu, Bruno? – Perguntaram ao mesmo tempo – porque é que não tens um amigo invisível?                      

p19 – Eu tenho um amigo invisível! – Respondeu Bruno – Posso encontrá-lo sempre que quero!     

p20 Mas não era muito fácil encontrar um companheiro para jogar àquilo que o Bruno gostava.

p21 O monstro do Frankenstein, que era esplêndido nos filmes, não sabia trepar árvores. – É a sétima árvore que tu destróis! – Disse Bruno. – Que maçada! És tão chato como o meu primo!                 

p22 Em seguida escolheu um Pteradon de uma cor vermelho vivo, mas por mais que tentasse, ele não conseguia passar pela passagem secreta.                        

p23 Quanto ao Imperador das Galáxias que veio em seguida nunca conseguiu fazer balões com a pastilha elástica, apesar da paciência de Bruno para o ensinar. Então, uma noite, deu-se um acontecimento. Bruno levantou-se da cama para ir à casa de banho.

p25 E logo que pôs a cabeça fora do quarto, viu que o corredor estava apinhado de monstros. Eram os habituais monstros do escuro à espera do momento certo para o atacar.                           

p26 Até o monstro que vivia na cave se lhes tinha juntado. O monstro mostrou-lhe orgulhoso as belas manchas verdes no seu corpo.                    

p27 Bruno estava decidido a voltar para a cama e a fazer chichi na cama (outra vez!) quando…

p28 Entra Giovanni! Chega pelo corredor a guinchar e a correr!                

p29 Os monstros ficaram tão assustados que lançaram a correr o mais que podiam!

p30 – Quem és tu? – Perguntou Bruno. – Chamo-me Giovanni e sou um porco.

p31 – Gosto de chocolate e sempre que vejo um frasco de doce mergulho nele o meu focinho! Também adoro saltar em poças de lama, vasculhar no lixo e rebolar-me na erva! – E água? – Perguntou Bruno. – O que é? – Foi a resposta de Giovanni.        

p32 – Ainda bem que te conheci! – Disse Bruno. – Queres ser o meu amigo invisível? – Estou aqui para isso mesmo – disse Giovanni com um grunhido de satisfação.                    

p33 A mãe e o pai apareceram à porta da casa de banho, onde Bruno estava sentado no bacio, todo contente.

p34 Bruno e Giovanni entendiam-se às mil maravilhas. Giovanni não era um porco difícil ou complicado. Tomava parte em todas as brincadeiras de Bruno com grande entusiasmo.

p35 E além disso, em pouco tempo foi ele que ensinou ao Bruno jogos novos, todos eles muito divertidos.   

p36 Bruno estava muito orgulhoso do seu novo amigo e decidiu apresentá-lo às amigas. Uma manhã levou-o a casa de Irene lanchar.         

p37 Mas, apesar de se mostrarem simpáticas por fora, as amigas de Bruno reagiram de maneira negativa.

p38 – Que porcaria é esta? – Gritou Elisa. – Meu Deus, que mau cheiro! – Acrescentou Irene. – Essa coisa é o teu amigo invisível? – Troçou Daniele.

p39 Bruno teve de fugir com Giovanni, mesmo antes do dragão que cuspia fogo quase conseguir chamuscar o rabo do porco.

p40 Bruno gostava muito de Giovanni, mas não era fácil manter um porco em casa, especialmente um porco invisível!

p41 Durante o dia, logo que a mãe virava a cara, Giovanni metia-se nas maiores alhadas. E adivinhem só quem ficava com as culpas?

p42 À noite, enquanto Bruno dormia, Giovanni ia à cozinha. Arrastava uma cadeira (porque era um porco de pernas curtas), abria o armário e emborcava bolachas com doce.                     

p43 E como se isso não bastasse, abria a porta do frigorífico e engolia várias garrafas de sumo de laranja e de coca-cola. Adivinhem quem ficava com as culpas na manhã seguinte?

p44 A situação tinha-se tornado insuportável. Bruno tinha que se ver livre do amigo e trocá-lo por algo mais decente.               

p46 Uma manhã, apresentou às amigas um tipo novo, armado com quase doze desintegradores bio-celulares e mais uma boa dúzia de foguetes de protão.              

p47 – É maravilhoso – exclamou Daniele – O que é? – Sabes – respondeu Bruno – É o Vingador das Estrelas. Pode desintegrar uma galáxia enquanto come um gelado (mas podia perceber-se que Bruno continuava a pensar noutra pessoa) – Agora que todos tempos um amigo invisível como deve ser – sugeriu Irene – podíamos partir em missão.                      – Porque não? – Concordou Irene com entusiasmo – vamos à casa assombrada!   

p48 A casa assombrada era uma casa abandonada.

p49 Havia muita gente que jurava ter ouvido estranhos ruídos vindo da casa, bem como luzes, patas peludas, olhos fluorescentes e coisas dessas.

p50 De facto, logo que as crianças entraram na casa, a porta fechou-se atrás delas com um estrondo.

p51 O vento uivava e a escadaria rangia …     

p52 E de repente, sem aviso, o dragão que cuspia fumo começou a chorar, o cowboy infalível e o Vingador das Estrelas esconderam-se atrás de uma cadeira e o cavaleiro medieval pôs-se a gritar por socorro.

p54 E então os quarto puseram-se a tremer, tornaram-se transparentes e desapareceram. Assim, sem mais nem menos. Elisa, Daniele, Irene e Bruno ficaram sozinhos na escura casa. Quase sem fôlego, as crianças viram umas patas peludas e uns olhos fluorescentes …              

p55 Mas logo se ouviu um estrondo enorme e apareceu qualquer coisa a correr e a grunhir.

p56 Os quarto gritaram: - Giovanni! – e puseram-se aos saltos de alegria.

p57 – Cá estou eu! – Respondeu o porco enquanto os monstros aterrorizados saltavam pela janela.

p58 Bruno correu então para a porta, abriu-a e gritou: - O caminho está desimpedido. Vamo-nos embora!

p 59 E todos se apressaram a sair da casa assombrada, atrás de Giovanni.

p60 Claro que nessa tarde as crianças decidiram homenagear Giovanni em casa de Bruno e organizaram um grande lanche em honra do porco.     

p61 Giovanni estava todo orgulhoso e portou-se mesmo mal!       

p62 Quando a mãe chegou a casa, adivinhem quem ficou com as culpas?

Actividades de sala de aula:
1.a) Quem escolherias para ser o teu amigo invisível?      

b) Bruno, Daniele, Elisa e Irene são crianças italianas. Os super heróis delas são os mesmos que os teus?

c) Têm as mesmas origens nos livros aos quadradinhos, filmes, contos e lendas?

2.Tenta encontrar uma história, acontecimento ou filme cuja história se desenrole em torno de um dos super heróis do livro. Seria ideal encontrar um de origem portuguesa em que uma destas personagens tivesse um papel significativo. Estes heróis serão universais ou podem ser relacionados com uma cultura ou país específicos?    

3. Bruno gosta de brincar for a de casa. Consegues reconhecer todas as coisas que ele faz? Quais são os jogos a que brincas e quais os que não consideras familiares?

4. Porque é que as amigas de Bruno troçam de Giovanni? Achas bem? Já alguma vez te aconteceu algo de semelhante?

5.Conheces lugares assustadores como a casa assombrada de Bruno? Existem edifícios em ruínas perto de tua casa?

Reflexão:
Quais os elementos da comida de Bruno que não são comuns no teu país? (talvez Nutella, um chocolate para barrar muito famoso em Itália).

Escreve uma carta a Bruno a convidá-lo (e ao Giovanni) a provar alguma da tua comida favorita e a pedir-lhe que traga uma fatia do seu bolo italiano favorito.

Se quisesses convidar o Bruno para uma refeição em tua casa, qual a comida típica do teu país que lhe oferecerias?

 

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ncrcl Outubro 2004