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Razão da escolha - Reconto - Tradução - Actividades - Reflexão

País:  Alemanha
Língua:  Alemão (também publicado em francês, catalão, galego e grego)
Título:   Der Schäfer Raul (O Pastor Raul)
Autora:  Eva Muggenthaler
Editor: Peter Hammer Verlag (1998)

ISBN: 3-87294-754-0
Escolhido por:   Dr Emer O'Sullivan: Institut fùr Jugendbuchforschung, Johann Wolfgang Goethe-Universität Frankfurt, Grüneburgplatz 1, 60323 Frankfurt, Germany

Razão da escolha:
Uma narrativa visual inovadora que pode ser compreendida universalmente apesar de incluir elementos da cultura alemã e referências linguísticas a esta.

Reconto:
O pastor Raul, cansado da sua vida rural, parte para a cidade grande. Sem ele saber, as suas ovelhas prendem-se-lhe com um fio de lã da sua camisola e seguem-no. Durante a viagem de comboio e subsequentes aventuras, o fio vermelho, que significa a presença das suas ovelhas, está sempre com ele. Mesmo quando finalmente Raul se apaixona na cidade, é puxado de volta ao campo. A namorada de Raul acaba por entender que para Raul é impossível separar a cidade do campo – na cidade ele pensa no campo e no campo ele pensa na cidade.

Tradução:
1. O pastor Raul conta as suas ovelhas todas as manhãs. Depois deita-se no prado a ouvir as ovelhas a mascar a erva. Passaram-se dias e passaram-se semanas.

2. Uma manhã, Raul não contou as ovelhas. Em vez disso viu-se ao espelho. Pareço uma ovelha, pensou e ficou aborrecido porque era vaidoso. Contou o seu dinheiro, foi à estação e apanhou um comboio para a cidade.

3. Depressa encontrou um pequeno apartamento no 4º andar de um prédio na cidade. Pendurou a roupa lavada na varanda. Os vizinhos ao saírem de casa pensaram ‘que bem que aqui cheira hoje'. E começaram a sonhar com prados verdes e nuvens brancas. No dia seguinte Raul foi às compras num grande armazém. Experimentou imensos fatos. Quando se viu ao espelho, disse – Sim senhor, agora sou um cavalheiro elegante. Comprou o fato mais bonito, dobrou as suas roupas velhas num fardo e atirou-as para o caixote do lixo.  

4. Depois Raul dirigiu-se a um bar elegante. - De repente cheira aqui tão bem, - repararam as pessoas surpreendidas e imaginaram grandes prados. Uma mulher dirigiu-se à mesa de Raul e sentou-se.

- Posso apresentar-me? Chamo-me Bárbara. - Raul corou. Em seguida apresentou-se. Foram ficando a conversar até tarde.

- Gostarias de jantar comigo amanhã à noite? - Perguntou Raul a Bárbara. Barbara acenou que sim e despediu-se [[Apertou-lhe literalmente a mão, um gesto comum entre amigos que se encontram ou despedem na Alemanha]]. – Então até amanhã.

5. Raul sentou-se num banco do metro. Em frente dele estava sentado um homem com um poodle. O cão cheirou as calças de Raul e começou a sonhar com ovelhas e prados de ervas. O comboio parou. Entrou uma ovelha que se dirigiu a Raul. As pessoas olharam-na espantada. O poodle começou a puxar a trela. Na paragem seguinte, entraram três ovelhas que se dirigiram a Raul. O poodle ladrou. O comboio voltou a parar. Raul saiu apressado. As quatro ovelhas seguiram atrás dele.

6. Quando chegaram ao apartamento já havia catorze ovelhas. Raul estava demasiado cansado para se zangar e foi-se deitar. As catorze ovelhas também.

7. Na manhã seguinte Raul lavou-se. – Preciso de cortar o cabelo, pensou. Fechou as ovelhas no apartamento e foi procurar um barbeiro.           

8. Quando entrou, o barbeiro perguntou-lhe: – O que deseja?

- Quero um corte elegante, – respondeu Raul.

- Um corte curto nesse caso, - disse o barbeiro. – E estas ovelhas são suas? Nós não tosquiamos ovelhas. As ovelhas olharam pela janela enquanto Raul era rapado. Pagou o seu corte de cabelo e dirigiu-se a um grande armazém para comprar qualquer coisa para o jantar. As ovelhas tinham fome. Roeram a manga de uma camisa, uma comeu pepinos frescos e cinco experimentaram guloseimas.        

9. Quando Raul voltou ao apartamento contou vinte e três ovelhas. – Vocês têm que sair daqui, gritou.

- Mé, mé, méee – responderam as ovelhas. Alguém tocou à porta. – Ai valha-me Deus. Deve ser a Barbara! Enfiou à pressa com as ovelhas dentro dos móveis e abriu a porta. – Polícia. Boa noite. O senhor tem ovelhas escondidas no seu apartamento?

- Mé, mé, ouviu-se de debaixo do sofá, detrás da televisão e de dentro do armário.                           
10. – Ah, vejo que estamos na pista certa. Estes animais causaram alguns danos avultados…

11. A polícia levou as vinte e três ovelhas. E quando chegaram ao posto começaram logo a trabalhar. Elaboraram logo fichas de cadastro para cada ovelha que foram engrossar os ficheiros policiais.

Relatório nº 401 89 2 770 14.07.1996

[fotografias da ovelha, esquerda, de frente, direita].

Ovelha nº. 04 – não se conhecem mais pormenores.
Declaração quando acusada de roubo: Mée, mée,

[impressões dos cascos]
FD casco da frente direito
FE casco da frente esquerdo
PD casco preto direito
PE casco preto esquerdo
FD   FE  PD   PE  

Indícios:
I1: Indício encontrado na boca: metade de um botão (sem cor) fio (preto, verde) cotão (torcido, longo, curto)
I2: indício digerido: pequenas bolas redondas (castanhas) metade de um botão (sem cor)

Notas: Os indícios são insuficientes para justificar a acusação.
Ordem de libertação imediata da ovelha nº. 4.

Assinatura da acusada: Assinatura do oficial em serviço:                     

13. Quando a campainha soou pela segunda vez, era Barbara. Raul serviu o jantar. Beberam vinho e conversaram até tarde. Barbara cheirou o cabelo dele. – Gostava de me deitar contigo num prado verde, disse ela e deitaram-se sobre o sofá de Raul.

14. – Mé, mé, ecoou pela escada acima. – Silêncio, berraram os vizinhos. As vinte e três ovelhas encontravam-se de novo na sala de estar de Raul.

- Estas ovelhas são tuas? – perguntou Barbara.

15. Raul levantou-se sem dizer nada e saiu do apartamento, passou pelos vizinhos e caminhou pela rua, passou o grande armazém, o bar elegante, até deixar de ver os edifícios da cidade. Olhou para o céu escuro e em breve conseguia ouvir as ovelhas a pastar erva. Tinham vindo atrás dele. – Mas amanhã volto para a Barbara e para a cidade! – gritou.

16. Barbara estava sentada no sofá de Raul a fazer festas numa ovelha.   Era a ovelha nº. 24 que tinha estado na banheira o dia todo. Estava tão pequenina como uma camisola de lã que encolheu na lavagem. – Amanhã vamos procurar o teu pastor, - prometeu Barbara. Adormeceram as duas e sonharam com prados, margaridas e o pastor Raul.                    

Actividades de sala de aula:
1. O livro trabalha com pelo menos duas metáforas alemãs: uma é o ‘fio vermelho', termo figurativo para o tema de uma história que percorre as páginas do livro.

i) Como é que o autor usa o fio vermelho para ligar os acontecimentos na história? ii)Prepare uma pequena notícia para o jornal local a descrever a viagem de Raul à cidade.

2. A segunda metáfora brinca com a imagem alem㠑 de não conseguir cheirar alguém' no sentido de não gostar do cheiro ou figurativamente de ‘odiar alguém'.   O autor usa o contrário desta expressão. As pessoas, e em especial Barbara, gostam mesmo do cheiro de Raul, o que quer dizer que gostam dele.

i) Qual o efeito que isto tem na compreensão de Raul enquanto pessoa?
ii) Escreva uma descrição da personagem, explicando como ele é a um amigo que não tenha lido o livro.       

3. Considere as páginas 19 e 20 quando as ovelhas são algemadas pela polícia!

i) Considere os detalhes escritos sobre as ovelhas. Consegue perceber o que significam?   
ii) Há palavras semelhantes na sua língua?
iii) Pensa que esta documentação detalhada seria necessária no seu país se alguém fosse preso?

iv) Crie um ficheiro de polícia para um dos seus animais de estimação ou animal fictício.

Reflexão: O trabalho com metáforas e elementos figurativos do discurso, quer sejam culturalmente específicos ou não, e que são traduzidos por imagens, pode constituir um modo interessante de utilização dos livros dos países diferentes, porque se podem elaborar paralelos linguísticos.

NB Pode encontrar mais actividades literárias e linguísticas em Picture Books sans Frontières disponível e m tb@trentham-books.co.uk ou www.amazon.co.uk


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ncrcl Outubro 2004