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Razão da escolha - Reconto - Tradução - Actividades - Reflexão

Country:  Irlanda
Lingua:  Irlandês
Título: Naomh Pádraig agus Crom Dubh (S. Patrício e Crom Dubh) .
Autor: Rosenstock G.
Editor: An Gúm (1995)
ISBN: 1-85791-144-x
Escolhido por:  Celia Keenan
St Patrick's College, Drumcondra, Dublin 9, Ireland.

Razão da escolha:             
Este livro foi escolhido por ser muito recomendado e por reflectir um aspecto do folclore irlandês.

Reconto:  
Esta versão cómica e leve de um conto tradicional irlandês explora as diferenças entre o chefe pagão irlandês       Crom Dubh, que fala irlandês, e o santo cristão S. Patrício, que fala latim. Explora as dificuldades de comunicação entre os velhos valores celtas pagãos de franca hospitalidade e expressões de gratidão extravagantes e os valores cristãos da prece e da contenção. O chefe pagão gaélico Crom Dubh envia um criado com três presentes de grandes nacos de carne ao santo. S. Patrício exprime a sua gratidão não ao chefe mas a Deus utilizando uma expressão latina ‘Deo gratias', que confunde Crom Dubh. Este suspeita de um insulto e fica cada vez mais irado em relação ao que considera ser a falta de educação de S. Patrício. E confronta o santo. Este responde com a típica subtileza. Pesa a carne e a oração escrita em folhas de papel. Milagrosamente a oração é mais pesada do que a carne. Crom Dubh fica convencido e converte-se ao cristianismo. A ira desaparece.

Tradução:  
P1. Crom Dubh era um pagão que vivia no condado de Mayo no tempo de S. Patrício. S. Patrício e Crom Duhb viviam perto um do outro e tornaram-se bons amigos.

P2. Um dia, Crom Dubh enviou o criado com um presente para S. Patrício – um belo naco de carne.

P3. – Um presente do meu patrão, disse o jovem criado. - Deo Gratias, replicou S. Patrício.

P4. O criado regressou a casa do patrão. – S. Patrício agradeceu? – perguntou Crom Dubh. – Não sei, porque não entendi o que ele disse, respondeu o rapaz. – Ele não falou no dialecto de Mayo, se calhar era irlandês de Kerry.

P5. No dia seguinte Crom Dubh voltou a dizer ao rapaz: – Tenho outro naco de carne. Leva-o a Patrício e vê se ele mo agradece. E o rapaz lá foi a casa de Patrício.     

P6. O rapaz deu o segundo naco de carne ao santo, dizendo-lhe: – Um novo presente do meu amo. Patrício limitou-se a dizer   - Deo Gratias.

P7. – E hoje, Patrício agradeceu-me? – perguntou Crom Dubh. – Não percebi o que ele disse, respondeu o rapaz. – Não falou irlandês de Mayo, se calhar era irlandês de Cork. Crom Dubh ficou muito triste quando tal ouviu.

P8. No dia seguinte Crom Dubh enviou a S. Patrício outro naco de carne. – Mais um presente do meu amo, anunciou o rapaz. – Deo Gratias, disse apenas S. Patrício, sem mais nada.

P9. O rapaz regressou a cada do amo. – Bom, então que gratidão mostrou ele hoje? – A mesma que das duas últimas vezes, replicou o rapaz. – Volta já lá e diz-lhe para se encontrar comigo aqui, ordenou irado Crom Dubh.

P10. S. Patrício foi a casa de Crom Dubh e este acusou-o imediatamente: – Não me agradeceste os três nacos de carne, disse ele. – Agradeci-tos empenhadamente, disse S. Patrício. – Não mos agradeceste nada, disse Crom Dubh. – Olha que o fiz com toda a certeza, respondeu S. Patrício.      

P11. – Olha, - perguntou S. Patrício, - tens uma balança? – Tenho, - respondeu Crom Dubh. – Tens três nacos de carne bonitos e pesados como os três que me enviaste como presente? - perguntou Patrício. – Tenho, - respondeu Dubh.

P12. – Põe-nos num dos pratos da balança, ordenou Patrício e Crom Dubh colocou a carne num dos pratos da balança. S. Patrício escreveu 'Deo Gratias' três vezes num pedaço de papel e colocou-o no outro prato da balança. O pedaço de papel era muito mais pesado que os três nacos de carne.                            

P13. – Oh Patício,   -disse Crom Dubh. – Baptiza-me já e a toda a minha família e criados, por amor de Deus. Crom Dubh e a sua gente foram baptizados nesse mesmo dia, o último domingo de Julho, há muito, muito tempo. Deo Gratias.

Actividades de sala de aula:
•  Qualquer tipo de trabalho comparativo sobre festas e festividades na Europa, em especial festivais de Outono, de Verão, feriados nacionais, etc.

•  Trabalhos sobre ética e hábitos na Europa: Por exemplo, em França é educado molhar o pão no molho do prato, ao passo que em Inglaterra não o é. Ajude as crianças a compreender que aquilo que por vezes é interpretado como má educação é apenas um hábito diferente.

•  Trabalhos sobre o confronto e a confusão: Como é que S. Patrício evita o conflito?

•  Nas escolas irlandesas esta pequena história seria muito útil por volta do dia de S. Patrício e do Dia da Irlanda e poderia ser dramatizada pelas crianças nas salas de aula.

Reflexão: Sublinhe os costumes que reflectem a sua própria cultura e debata como poderiam ser partilhados com crianças de outros países europeus.

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ncrcl Outubro 2004