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Razão da escolha - Reconto - Tradução - Actividades - Reflexão


País:   Grécia
Língua:  Grego
Título: O encontro do fazedor de histórias com o mago do açúcar  
Autor: Kyritsopoulos A.
Editor: Kedros (1990)
Escolhido por:  Gella Varna Vaskoura,
Director de Literatura Infantil, Aristotle University of Thessaloniki, Faculty of Education, Thessaloniki 540 06, Greece.

Razão da escolha:
Uma deliciosa história de fantasia que agradará a todas as crianças europeias que gostam de histórias excitantes de mistério e de doces!        

Reconto:
O fazedor de histórias é tentado pelo mago do açúcar a experimentar muitas delícias da sua fábrica de doces – onde é possível comer ‘caramelos' permanentemente. Infelizmente, à medida que conta a sua história, o fazedor de histórias começa a fartar-se de doces e a desejar salgados – em particular batatas fritas. Por fim, com esta ideia na cabeça, apercebe-se que frequentemente é possível ter demais de uma coisa boa!    
           

Tradução:
Era uma vez um fazedor de histórias que graças ao seu colete mágico até conseguia voar.      
Um dia andava a passear quando começaram a chover doces.
– Eram realmente doces, afirmou o fazedor de histórias, com a boca a rebentar de caramelos. Porque, como já puderam provavelmente adivinhar, ele adorava doces. Por isso lá foi ele a voar para investigar qual a miraculosa nuvem que chovia doces. E o que pensam que ele viu? Um mago do açúcar no seu foguete super-automático activado por doces em vez de gasolina. Admirado, sentou-se num nuvem e pasmou da corrente de doces que flutuava à frente dos seus olhos. No último momento, mesmo quando o mago do açúcar desaparecia, decidiu segui-lo. Não tardou muito até chegar ao castelo do mago do açúcar e, imaginem a surpresa dele, quando descobriu que o castelo era todinho feito de chocolate. Um castelo de chocolate, tal e qual os ovos de chocolate da Páscoa. Esqueceu-se imediatamente do mago do açúcar e de tudo o resto e atirou-se a um pedaço gigantesco de chocolate. – Nunca mais daqui saio, murmurou para si próprio. De repente apareceu um guarda no buraco que o contador de histórias tinha mordido na parede. Embora extremamente ocupado a lamber um chupa, o guarda ameaçou:

- Páre imediatamente com isso ou ainda acaba com a nossa casa. O senhor está preso.

- Que belo lugar para ser preso, murmurou o fazedor de histórias, a boca cheia de chocolate. – Olha só para o guarda. É um doceiro na vida real.
– Vamos lá a ver o que mais haverá que ver, pensou com os seus botões à medida que o guarda o conduzia entre enormes blocos de chocolate ao mago do açúcar.

   - Bem-vindo, fazedor de histórias, cumprimentou o mago do açúcar quando o viu e disse ao guarda que o soltasse imediatamente e que fosse buscar um bolo enorme. O guarda ficou deliciado porque estava a pensar numa desculpa para ir buscar outro chupa, pois tinha acabado o que estava a comer.

  - Vejo que és guloso, fazedor de histórias. Estou certo que te sentirás feliz aqui. Queres que te mostre o castelo?      
- Sim, se fizer favor, disse o fazedor de histórias com o bigode a tremer de prazer. Primeiro, o mago do açúcar levou-o à casa do forno onde estavam a amassar a massa para todos os bolos e donuts. Depois mostrou-lhe um enorme caldeirão
– È aqui que se fazem os caramelos, disse o mago do açúcar. O fazedor de histórias acenou sem dizer palavra porque estava em estado de ‘choc' com tantos doces.

  - E aqui é onde os doceiros, os boleiros e os artífices de gelados moram, disse o mago do açúcar apontando uma fila de pequenas casas no sopé de uma montanha feita de – adivinhem lá de quê? De natas batidas. Passearam-se pelo jardim.
– E estas árvores são de ..., mas antes que o mago do açúcar tivesse acabado a frase, já o fazedor de histórias a completava
– Rebuçados, disse ele triunfante, porque acabara de experimentar um. Imaginem, até os coelhos, os patos e os pássaaros do jardim eram feitos de massapão. E no momento em que se preparava para visitar o lago de doce de laranja, as fontes de xarope e as caves onde estavam guardadas todas as compotas e geleias, tocou uma campainha a anunciar que era hora de jantar. Chegados à sala de jantar e no momento em que se sentavam para tomar uma bebida, o mago do açúcar perguntou ao fazedor de histórias qual a coisa do mundo que ele mais desejava comer.

- Batatas fritas, disse o fazedor de histórias atrevidamente. A mesa quase que se virava de choque.

- Deus do céu, não posso crer no que ouço, disse o mago. Estava tão admirado que entornou o seu copo de sumo de amora, que fez uma enorme nódoa cor de púrpura na toalha da mesa. Explicou então que não havia sal em parte alguma do castelo. Como poderia fazer batas fritas sem sal?
– De resto, não há batatas, acrescentou em seguida.
–Nem esparguete (não fosse o fazedor de histórias lembrar-se de pedir esparguete a seguir)
– Tenho imensa pena, mas só temos doces. Assim, naquela noite, o fazedor de histórias não pregou olho de tão faminto que estava. Na manhã seguinte pôs-se a caminho de casa. Tinha que ir a pé porque o enorme saco de guloseimas que transportava era demasiado pesado e não lhe permitia voar. Mas não fazia mal porque quando chegou a casa à tardinha, a avó (porque o fazedor de histórias também tinha uma avó) preparou-lhe uma sopa deliciosa. Era tarde demais para batatas fritas. Essas comê-las-ia amanhã.          

Boa Noite.

Actividades de sala de aula:

1. É possível ter ‘demais de uma coisa boa'. Leve as crianças a produzir o maior número de palavras descritivas para descreverem o que sentem quando têm ‘demais' de uma coisa. Poderiam em seguida conceber posters de ‘aviso' para os amigos.

2. O fazedor de histórias menciona que o castelo de chocolate era como ‘os ovos de chocolate da Páscoa' (p. 17). Debata com as crianças o que se faz na Páscoa e porquê. Será uma data festejada em todos os países? Na Grécia dá-se-lhe muita importância. Grupos diferentes poderiam investigar os costumes da Páscoa em diferentes países e criar um panfleto sobre casa país.

3. Centre-se na escrita do livro e debata as diferenças da nossa escrita. Haverá palavras que se podem entender quando se ouve simultaneamente o CD? Como se diz ‘doces' em grego, por exemplo? É possível que as crianças queiram inventar as suas próprias histórias sobre o fazedor de histórias, utilizando algumas das palavras gregas que encontram nos balões de fala.

Reflexão: Sublinhe o papel de mitos e lendas gregas em histórias contemporâneas.


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ncrcl Outubro 20043